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Alexandre Wollner

Entrevista: Alexandre Wollner

“A sua inteligência e o seu talento aproximam você das pessoas certas.” O designer Alexandre Wollner fez parte da construção da cena brasileira de design gráfico.

Não seria estranho se, no dicionário, Alexandre Wollner fosse sinônimo de design. Afinal, tudo nele e em volta dele é design: as poltronas criadas pelo designer Charles Eames, que decoram sua sala de estar; a biblioteca repleta de tesouros em forma de livros; a única grande flor de pétalas cor-de-rosa que cai graciosamente do tronco de uma árvore em seu jardim. É como se todas as forças do Universo tivessem conspirado para que Alexandre estivesse exatamente onde está, sentado com um sorriso encantador em sua casa e estúdio, com algumas das marcas mais reconhecidas do Brasil e do mundo – como Itaú e Philco – em seu portfólio.

Quem conversa com Alexandre Wollner não enxerga um homem que já passou por 83 verões e é um mestre do design, com mais de 50 anos de carreira na área. Só se vê paixão, felicidade e uma sabedoria maravilhosa. Desejo que você, leitor, pense o mesmo depois de ler a entrevista a seguir.

Como surgiu o seu interesse pelo design?

Todos nascem com um talento e uma inteligência, e o meu foi direcionado para o desenho. Quando algo tem que ser, as coisas acontecem sem muita complicação. A sua inteligência e o seu talento o aproximam das pessoas certas. É como um namoro: você, de repente, encontra uma pessoa que é exatamente o que precisava. Você encontra, vai tomar um café, um chopp e, de repente, casa! Foi exatamente assim que minha carreira começou. Felizmente, fui aos lugares certos e descobri o design.

Estava me preparando para estudar Arquitetura, mas acabei me interessando pelo curso do Instituto de Arte Contemporânea do MASP. Foi lá que comecei a aprender o que era design. Um dia, o [Pietro Maria] Bardi [jornalista e historiador italiano, que ajudou Assis Chateaubriand a fundar o MASP] me chamou para ajudá-lo a montar uma exposição do Max Bill – um artista concretista que ninguém conhecia aqui antes da Segunda Guerra. Dois anos depois, ele voltou ao Brasil e perguntou para o Bardi se não havia ninguém que ele pudesse indicar para uma nova escola que ele estava ajudando a fundar em Ulm, na Alemanha. Fiz uma entrevista e fui aceito. Foi assim que consegui estudar na Escola Superior da Forma de Ulm.

Naquela época, era mais difícil ser designer no Brasil?

Não digo que era difícil, pelo menos para mim, pois era um setor muito limitado, dominado por decoração, styling, essas coisas. Na Alemanha, estudei Matemática, Física e muitas outras coisas que, apesar de não parecer, estão muito ligadas ao design. Não trabalhava só com arte, mas com sensibilidade e percepção, e com toda a ciência por trás do design, e isso foi um diferencial.


wollner-logosSe tivesse que realizar um de seus primeiros trabalhos hoje, o que faria diferente?

Diferente, nada. Aprimoraria mais o desenho, pela percepção que tenho hoje. Muita gente olha, mas não vê; era o que eu fazia no começo. Você olha, a informação vai para o cérebro, mas você não sabe o significado daquilo. Agora, quando você se aprimora em toda a ciência envolvida no design, começa a ver o significado das coisas e aprende a concentrar isso em um resultado adequado para a percepção do público.

Como você lida com a questão do clichê no design?

Não pode existir esse negócio no design. Seu projeto deve ser adequado para hoje e para o futuro. Ninguém contrata um designer para criar uma identidade que será usada por três meses e sairá de moda. Tudo que fiz é usado até hoje, ainda tem significado. Isso é o mais importante no design.

Designs de logos vêm sendo massacrados pela comunidade de design na internet, como os logos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Acha que há um motivo para isso?

O motivo é a falta de preparo profissional das pessoas envolvidas no design. A identidade das Olimpíadas de Munique é um ótimo exemplo contrário disso. Eles abandonaram a abordagem nacionalista a favor do universal. Um novo significado foi criado, diferente do que vinha sendo produzido. Vários designers trabalharam juntos em um mesmo escritório, um pessoal mais profissional, mais preparado. No Brasil, um cara faz, fala bonito, mas não consegue encontrar um jeito de fazer aquilo funcionar.

Como os avanços tecnológicos influíram na sua carreira?

Foi difícil para mim e para muita gente. Uma vez, em um congresso, encontrei Paul Rand, grande mestre. Perguntei se ele usava o computador para trabalhar e ele disse que não, que isso era coisa do pessoal da IBM. Naquela época, era difícil associar a ideia do desenho manual a um computador e, para mim, isso é assim até hoje.  Facilitaram muita a coisa, mas é bom lembrar que a criatividade está no cérebro. Nada supera as experiências que você tem na cabeça.

O que o inspira hoje?

Fico interessado por projetos que oferecem a possibilidade de ter contato com coisas novas.  Faço questão de falar diretamente com o empresário, que é quem sabe exatamente do que precisa. Não falo com agência de publicidade, nem com departamentos de marketing. Prefiro falar diretamente com o cliente.

wollner-logos-2Para você, qual é a importância da educação formal?

Ninguém faz nada sozinho. Quem cria sozinho vai fazer coisas muito pessoais, muito estranhas. O design não é uma performance, não é fazer cocô na rua e falar que é arte. A formação técnica é importante. É preciso interagir com mentes semelhantes e ter alguém com quem aprender. Não tenho diploma, mas sempre me foquei e estudei muito.

Há alguma coisa que você ainda não fez e gostaria de fazer no design?

Tenho vontade de fazer interações na cidade, mas, como não conheço nenhum político, fica difícil... (risos).

O que não se deve fazer de jeito nenhum para chegar onde você chegou no design?

Não corra atrás do dinheiro. Deixe que ele corra atrás de você.

Fonte: Revista Computer Arts Brasil, nº. 43, pg. 35-36 – by Diego Pires

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Comentários  

 
Pequenos Negócios
#1 Pequenos Negócios 28-11-2017 10:56
Ótimo artigo! Já visitei o teu blog outras vezes, porém nunca tinha deixado um comentário.
Inseri teu site nos favoritos para que eu não perca nenhuma atualização.
Nos falamos em breve, abraço!

My blog :: Pequenos Negócios: http://geracaoempreendedora.com/pequenos-negocios-lucrativos/
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